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Empresas incorporam mudanças climáticas em estratégias de negócios

Empresas incorporam mudanças climáticas em estratégias de negócios

As mudanças do clima são hoje um dos principais vetores de riscos e oportunidades para os negócios. A maior parte das grandes empresas com atuação no Brasil já entendeu isso e está atuando para enfrentar o problema. Essa é a principal conclusão do estudo ‘Como as empresas vêm contribuindo para o Acordo de Paris’, que foi lançado dia 10 de dezembro pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019 (COP25), em Madri, na Espanha.

O estudo,realizado com o apoio do WWF-Brasil e CDP (Carbon Disclosure Program)América Latina, baseia-se nas respostas de 61 companhias brasileiras emultinacionais com operações no país, que representam cerca de 90% do capitalcomercializado em bolsa de valor no Brasil. Em sua segunda edição, a pesquisamostrou que o entendimento dos impactos climáticos pela lente financeira temcontribuído para que as companhias materializem as oportunidades associadas.Ainda que de maneira estimada, em 2018, elas reportaram oportunidades querepresentam impactos financeiros positivos de US$ 124 bilhões, com uminvestimento necessário para materializá-las de US$ 17,5 bilhões. Enquanto osriscos apresentaram impactos negativos de US$ 45 bilhões.

“Ou seja, háuma justificativa empresarial clara para investimento em soluções quecontribuam para a descarbonização da economia”, disse Marina Grossi,presidente do CEBDS. Muitas empresas já perceberam isso e estão direcionandoinvestimentos em pesquisa e desenvolvimento de soluções de baixo carbono, sendoque o montante total destinado a este fim em 2018 foi de US$ 7,7 bilhões.

O estudomostra também um entendimento crescente das empresas de que a crise climáticaameaça a estabilidade financeira dos negócios”, observou Alexandre Prado,Diretor de Economia Verde do WWF-Brasil. De acordo com o Relatório de RiscosGlobais 2019, do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), a mudança doclima aparece direta ou indiretamente associada a três dos cinco riscos globaismais prováveis e a quatro dos cinco riscos globais com maior impacto negativo.Neste caso, risco global é definido como um evento incerto ou condição que, seocorrer, poderia impactar negativamente várias indústrias e países nos próximos10 anos.

“Uma vez que umagestão eficiente depende necessariamente da capacidade de mensuração, aoestabelecer uma métrica financeira para os riscos climáticos, as empresasconseguem adotar medidas estratégicas na direção da nova economia e ganharcompetitividade”, afirmou Lauro Marins, Diretor Executivo do CDP AméricaLatina. O estudo mostra que 32% das empresas brasileiras adotam metas baseadasna ciência e 33% fazem a precificação interna de carbono. Ou seja, estãovoluntariamente atribuindo preços para suas emissões como forma de gerir riscose oportunidades associados ao clima. Outras 21% pretendem fazer a precificaçãointerna nos próximos dois anos.

“Osresultados das empresas revelados neste estudo demonstram que enfrentar amudança do clima representa mais oportunidades do que riscos para o Brasil. Emresumo, é financeiramente mais vantajoso fazer investimentos para materializaressas oportunidades do que gerir os impactos negativos das mudanças clima”,explicou Marina Grossi. Esse aprendizado das empresas pode ajudar na construçãode políticas adequadas visando maior resiliência da economia brasileira diantedos impactos gerados pela mudança do clima. “Este tema poderia ser incorporadocomo uma das variáveis críticas nas propostas de reformas em discussão no País.Assim, políticas econômicas, tributárias e ambientais, dentre outras, não maiscompetiriam entre si, mas sim poderiam convergir para fortalecer acompetitividade do Brasil nessa nova economia”, disse o Diretor de EconomiaVerde do WWF-Brasil.

A integração dasquestões climáticas na construção dessas políticas, inclusive, pode apresentarsoluções para endereçar o atual déficit orçamentário por meio de instrumentosfinanceiros inovadores como títulos verdes e debentures incentivadas. O estudodestaca que há um apetite crescente de investidores por esses produtosfinanceiros. O mercado global de investimento de impacto, que consideracritérios Ambientais, Sociais e de Governança (ASG), já movimenta US$ 502bilhões, considerando os ativos de 1.300 investidores de impacto de todo omundo. Somente na América Latina, foram captados US$ 521 bilhões via títulosverdes no mundo e US$ 7 bilhões.

Como principaisresultados desse estudo, foi percebido que 83% das empresas já identificamriscos associados às mudanças climáticas, outros 85% identificam oportunidadesassociadas a elas 93% integram mudança do clima à estratégia de negócios.

Com relação a projeção do clima para o futuro, 68% fazem uso de cenários climáticos e 30% desenvolveram um plano de descarbonização, 33% das empresas utilizam precificação interna de carbono e 32% se comprometeram com uma meta baseada na ciência. Outras 21% pretendem fazê-los nos próximos 2 anos e 10% têm um plano de descarbonização em desenvolvimento a ser finalizado nos próximos 2 anos. As Empresas analisadas investiram um total de US$ 7,7 bilhões em P&D de baixo carbono.

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